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Investimento seguro: vale a pena investir em terreno?

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Postado por Ivilla Garcia
Mão masculina colocando uma moeda sob uma pilha.

O imóvel é uma das aplicações mais comuns e estáveis entre os brasileiros, por ser um investimento seguro e uma forma de preservação de capital. Mas será que vale a pena investir em terreno? 

De acordo com o estudo Global Wealth Report de 2019, realizado pelo Credit Suisse, investir em imóvel no Brasil é uma das melhores formas de proteger o patrimônio em tempos de crise, porque o investimento, no mínimo, tende a manter o seu valor.

Existem diversos fatores que contribuem para a valorização, e iremos explicar melhor no decorrer deste texto. Porém, é importante dizer que os critérios para investir mudam de acordo com os objetivos e o perfil de cada investidor.

Por isso, neste artigo, vamos comparar o investimento em loteamentos a outras formas de aplicação de renda fixa e variável. Continue a leitura para entender melhor! 

E então, vale a pena investir em lotes e terrenos?

Sim, vale a pena investir em terreno! Saiba que loteamentos não sofrem depreciação de valor. Além disso, neste tipo de aplicação, o dinheiro é investido em algo concreto, com documentação e escritura.

Mas lembre-se, no momento da compra de um lote é fundamental verificar as documentações para evitar possíveis dores de cabeça. 

Para quem vai negociar à vista: 

A compra de lotes é uma opção viável, principalmente para aqueles que possuem um montante financeiro disponível para resgate imediato. Isso porque ter dinheiro em mãos facilita a negociação.

Para quem vai financiar: 

Financiar a compra de um terreno em loteamento também pode ser uma boa opção e vamos citar dois motivos:

  • É bem provável que a valorização do lote seja maior que os juros do financiamento.
  • É possível vender o imóvel antes mesmo de finalizar o pagamento das parcelas. E isso é uma boa estratégia, principalmente quando o terreno valoriza durante esse período. 

Entretanto, para que o investidor obtenha lucro, é fundamental observar as taxas, os juros de correção monetária e o tipo de tabela usado nesse financiamento.

1. Terrenos x Renda Fixa

A renda fixa, como o próprio nome diz, envolve aplicações em que a remuneração é prefixada. Conheça as características principais desse tipo de investimento:

  • Remuneração predeterminada
  • Estratégia de curto e médio prazo
  • Baixo risco
  • Baixa valorização

Ao pensar no longo prazo, se compararmos o mesmo período de aplicação em renda fixa com o investimento em lotes, a última opção pode ser mais vantajosa. Quer saber por quê?

A aplicação em terreno entrega um retorno maior, além de não ser exposta a mudanças de regras financeiras, aumento de taxas de juros, como a Selic, e riscos de crédito dos emissores dos títulos.

Mão feminina colocando uma moeda em um porquinho.

1.1. Terreno x Poupança 

A terceira edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, feita com apoio do Datafolha, em novembro de 2019, mostrou que 84,2% dos investidores deixaram os recursos na poupança naquele ano. Esse alto percentual, deve-se ao fato de o investimento na caderneta oferecer baixo risco de perda.

No entanto, em 2020 veio a pandemia de Covid-19, que continua presente em 2021, causando efeitos diretos na economia. Então, devido a esses impactos, a poupança passou a não ser mais uma opção tão interessante. Vamos entender o porquê?

De acordo com o site do Serasa Ensina, a rentabilidade da poupança funciona de acordo com a seguinte regra: 

  • Quando a Selic (taxa básica de juros) estiver abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% do valor da taxa básica mais a Taxa Referencial (TR).
  • Quando estiver maior que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser de 0,5% ao mês mais a TR. 

Como explicado acima, o rendimento fixo da poupança é baseado na taxa Selic. E a crise gerada pelo coronavírus resultou na maior queda registrada na história desse índice.

Portanto, no momento atual, a aplicação na poupança está sofrendo desvalorização, uma vez que a inflação está maior que a Selic. Por isso, sua rentabilidade não é mais atrativa. 

Em contrapartida, apostar em lotes, além de ser um investimento seguro, possui melhor retorno financeiro. Mas, para fazer um bom negócio, é importante procurar por lotes que tenham real potencial de valorização.

Além disso, existem outras formas de obter ainda mais valorização ao investir em loteamentos. Uma das maneiras é construir no terreno, imóveis residenciais ou comerciais, para potencializar o lucro dele no momento da venda. E outra possibilidade de ganhar dinheiro é gerar uma renda extra, no caso de aluguel

1.2. Terreno x Tesouro Direto 

O Tesouro Direto é um programa criado pelo governo federal em parceria com a Bolsa de Valores, para que pessoas físicas possam investir em títulos públicos de renda fixa. 

Existem três tipos de títulos de Tesouro Direto: 

  • Pós-fixado: seu rendimento acompanha a variação da taxa Selic.
  • Prefixado: possui uma taxa fixa. 
  • Tesouro IPCA: é indexado à variação da taxa de inflação IPCA somado a uma taxa fixa. 

Algumas características desse investimento: 

  • Baixo risco
  • Alta liquidez
  • Possibilidade de começar a investir com valores baixos

Para garantir o rendimento prometido é importante vender o título no vencimento, pois, caso contrário, você corre o risco de receber menos que o esperado. Isso porque o preço de cada título varia diariamente. 

Assim como o investimento em terrenos, o Tesouro Direto é seguro e considerado uma boa opção para aqueles com perfil conservador. No entanto, tal qual a Poupança, ele também foi impactado pela queda da Selic. Por isso, atualmente, não tem gerado retorno significativo. 

Enquanto isso, o cenário não gerou prejuízo para quem investe em lotes, pois eles estão resultando em alta valorização desde que a situação da pandemia começou e, por isso, vale a pena investir em terreno.

2. Lotes X Renda variável: 

A aplicação em renda variável é uma boa opção para aqueles que estão dispostos a correr riscos. É preciso ter um perfil arrojado, ou no mínimo moderado, para arriscar esse modelo de investimento.

É um tipo de investimento em que o retorno é imprevisível, pois ele varia de acordo com as condições do mercado. Dois exemplos claros de renda variável são as ações e as criptomoedas. 

A renda variável é um formato que pode resultar em rendimentos maiores até mesmo em curto prazo, porém, também pode sofrer desvalorizações significativas. 

Por outro lado, o investimento em terrenos pode conquistar alto retorno financeiro a longo prazo, mas dificilmente irá se desvalorizar, sendo portanto, uma opção mais conservadora.

Conclusão: a principal diferença entre a renda variável e o investimento em lotes é a segurança, que não existe no primeiro caso. 

Maquete de casa ao lado de um saco de dinheiro, vale a pena investir em terreno?

3. Terrenos x Fundos Imobiliários

Os fundos imobiliários (FIIs), assim como a compra de imóveis, são uma opção viável para aqueles que querem investir no mercado imobiliário. 

Dentre as principais características dos FIIs, podemos citar: 

  • Mais indicados a curto prazo, por serem mais fáceis de aplicar e resgatar. 
  • Mantêm o valor médio dos imóveis que o fundo investiu.
  • Existem vários custos de administração dos órgãos financeiros que emitem e administram esses fundos e esses imóveis.
  • Os administradores dos fundos resgatam parte significativa dos lucros do investimento, portanto o ganho não é integral do investidor

O investidor que opta pela aplicação direta em terrenos pode ter um trabalho maior para gerenciar o investimento, se comparar com a gestão do FII. Uma vez que pode não ser simples escolher o lote certo, avaliar a documentação, ou até vender o imóvel.

No entanto, o lucro, nesse caso é unicamente do proprietário do terreno, ao contrário do que ocorre no fundo imobiliário, já que uma parte fica com o administrador.

Conclusão

A valorização do mercado imobiliário é historicamente comprovada, como podemos verificar pelos dados registrados. Durante a década de 2009 a 2019, o investimento em imóveis rendeu 15,3% ao ano. 

Esse resultado foi calculado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), sendo que 5,9% corresponde ao retorno médio do aluguel e 9,4% à valorização dos imóveis.

Em resumo, todo investimento apresenta prós e contras, sendo fundamental uma análise prévia das opções disponíveis. Além disso, apostar em um imóvel ou em qualquer tipo de aplicação exige pesquisa e entendimento do mercado para garantir um bom negócio. 

O que se pode concluir é que vale a pena investir em terreno, porque é uma opção segura, mas cabe ao próprio investidor determinar a melhor alternativa. Essa decisão irá variar de acordo com o seu perfil, recursos disponíveis e prazo do investimento.

E, por fim, lembre-se: um tipo de aplicação não exclui outros! Afinal, tão importante quanto investir é diversificar sua carteira de ativos! 

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